Se você acompanhou o nosso Ebook de Mapeamento da LCN 214, já conhece a estrutura dos três novos tributos que vão redesenhar a tributação sobre o consumo no Brasil: CBS, IBS e Imposto Seletivo. Agora é hora de mergulhar no IS — o tributo que vai impactar diretamente a precificação de produtos em setores inteiros da economia — e entender, na prática, como recalcular o preço de venda dos seus clientes.
O Imposto Seletivo entra em vigor a partir de 2027, mas o trabalho do contador consultivo começa agora, em 2026. Quem não mapear os produtos afetados e ajustar as margens antes da cobrança plena vai transformar lucro em prejuízo — e colocar o cliente em risco.
Neste artigo, você vai descobrir exatamente quais categorias de produtos serão taxadas, como o IS funciona na cadeia produtiva e, o mais importante, como recalcular o preço de venda para absorver a nova carga sem comprometer a competitividade.
O que é o Imposto Seletivo e por que ele muda o jogo da precificação
O Imposto Seletivo (IS) — popularmente chamado de “imposto do pecado” — é um tributo federal de natureza extrafiscal, instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025. Sua função não é simplesmente arrecadar: o objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Na prática, o IS substitui o papel regulatório que o IPI exercia sobre determinados produtos e convive com o novo IVA dual (CBS + IBS). Porém, há uma diferença fundamental que impacta diretamente a formação de preço:
- Incidência monofásica: o IS incide uma única vez sobre o bem ou serviço, geralmente no primeiro fornecimento, na extração ou na importação.
- Sem direito a crédito: diferentemente do IBS e da CBS, o Imposto Seletivo não gera crédito na cadeia. Pagou, encerrou.
- Base de cálculo integrada: o IS compõe a base de cálculo do IBS e da CBS, o que significa que o valor do Seletivo “engorda” a base dos outros dois tributos.
Essa tríplice característica — monofasia, ausência de crédito e base integrada — torna o IS um custo tributário “seco” que precisa ser absorvido na formação do preço. Para o contador que assessora empresas com produtos alcançados pelo IS, ignorar esse impacto é o mesmo que entregar uma DRE fictícia ao cliente.
Quais produtos serão taxados pelo Imposto Seletivo
O Anexo XVII da LCN 214/2025 traz o rol de produtos e serviços sujeitos ao IS. Conheça cada categoria, os critérios de tributação e as alíquotas projetadas:
1. Veículos, embarcações e aeronaves
A tributação dos veículos pelo IS leva em conta 10 critérios definidos no art. 419 da LCN 214/2025:
- Potência do veículo
- Eficiência energética
- Desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção
- Reciclabilidade de materiais
- Pegada de carbono
- Densidade tecnológica
- Emissão de dióxido de carbono (eficiência energético-ambiental)
- Realização de etapas fabris no país
- Categoria do veículo
- Tipo de combustível utilizado
A alíquota será fixada individualmente para cada veículo com base nesses critérios. Veículos elétricos e híbridos com baixa emissão tendem a ter alíquotas reduzidas, enquanto veículos movidos a combustíveis fósseis com alta emissão pagarão mais. Taxistas e pessoas com deficiência terão alíquota zero.
Para embarcações e aeronaves, os critérios seguem princípios de sustentabilidade ambiental.
Impacto prático: concessionárias, montadoras e empresas de frotas precisarão revisar toda a tabela de preços. O contador precisa mapear a frota e o mix de produtos do cliente para projetar cenários de custo.
2. Produtos fumígenos (cigarros e tabaco)
Os produtos fumígenos receberão as alíquotas mais pesadas do IS — com projeções que podem chegar a 250% em regime pleno até 2033. A aplicação será progressiva entre 2029 e 2033.
As alíquotas serão fixadas em reais por unidade de produto e atualizadas pela inflação, corrigindo uma distorção do modelo atual (o IPI sobre cigarros estava congelado em R$ 1,50 por maço há mais de cinco anos).
Impacto prático: distribuidoras e varejistas de tabaco terão aumento significativo de carga. O setor enfrenta ainda o risco de ampliação do contrabando — o contador precisa orientar o cliente sobre compliance e rastreabilidade.
3. Bebidas alcoólicas
A tributação será calculada com base em duas alíquotas combinadas:
- Alíquota percentual por volume (ad valorem)
- Alíquota específica sobre o teor alcoólico (por quantidade de álcool)
As projeções indicam alíquotas entre 46% e 62%, variando conforme o teor alcoólico. Na prática, isso significa:
- Vodka e destilados (alto teor alcoólico): maior impacto tributário
- Vinhos (teor intermediário): impacto moderado a alto
- Cervejas (teor baixo, 3% a 7%): menor impacto relativo, mas ainda significativo em volume
Impacto prático: bares, restaurantes e distribuidoras — já operando com margens apertadas — precisam reprojetar toda a política de preços. Para o contador, a oportunidade é montar um comparativo de carga atual (PIS/Cofins + ICMS + IPI) versus IS + CBS + IBS para cada linha de produto.
4. Bebidas açucaradas
Refrigerantes, refrescos, chás prontos e sucos industrializados com adição de açúcar entram na lista. A alíquota projetada é de aproximadamente 32%, fixada com base no teor de açúcar por litro.
Há um debate técnico relevante aqui: o Anexo XVII utiliza a classificação NCM para definir os produtos alcançados. Alguns produtos com adição de açúcar (energéticos, chás adoçados) não estão na NCM indicada, enquanto outros sem adição de açúcar (águas aromatizadas) foram incluídos. Essa inconsistência gera insegurança jurídica e exige atenção redobrada na classificação fiscal.
Impacto prático: indústrias de bebidas e distribuidoras precisam revisar a NCM de cada produto para confirmar se está ou não alcançado pelo IS. O contador consultivo que fizer essa análise preventiva agrega valor imediato.
5. Bens minerais extraídos
Minério de ferro, petróleo e gás natural terão alíquota máxima de 0,25%, incidindo apenas na extração (não sobre exportação). O gás natural destinado a insumo em processo industrial terá alíquota zero.
Impacto prático: embora a alíquota pareça baixa, em volumes de extração mineral, o valor absoluto é significativo. Empresas de mineração e seus contadores fiscais precisam ajustar o cálculo de custo de extração.
6. Loterias e fantasy sport
Concursos de prognóstico e apostas de fantasy sport também entram no escopo do IS, alinhando o Brasil a práticas internacionais de tributação sobre jogos e apostas.
Produtos que ficaram de fora
Alguns itens que estavam em debate foram removidos do texto final:
- Armas e munições: inicialmente previstas, foram retiradas durante votação no Senado
- Combustíveis fósseis (gasolina, diesel): tributados via IBS e CBS, não pelo IS
- Energia elétrica e telecomunicações: expressamente excluídos da incidência do IS
- Cesta básica nacional: sem incidência do IS
Como recalcular o preço de venda com o Imposto Seletivo
Aqui está o núcleo do trabalho consultivo. O IS não funciona como um tributo comum “por dentro” — ele tem características únicas que alteram a fórmula de precificação:
Passo 1: Identifique se o produto está no Anexo XVII
Cruze o código NCM de cada produto do cliente com o rol do Anexo XVII da LCN 214/2025. Atenção especial para bebidas açucaradas, onde a classificação NCM pode gerar inclusões ou exclusões inesperadas.
Passo 2: Levante a alíquota aplicável (ou projetada)
As alíquotas definitivas serão definidas por lei ordinária até 2026, mas as projeções já permitem cenários confiáveis:
| Categoria | Alíquota projetada |
|---|---|
| Produtos fumígenos | Até 250% (progressiva 2029–2033) |
| Bebidas alcoólicas | 46% a 62% (conforme teor alcoólico) |
| Bebidas açucaradas | ~32% |
| Veículos | Variável (10 critérios) |
| Bens minerais | Até 0,25% |
Passo 3: Calcule o custo tributário total (IS + CBS + IBS)
Lembre-se: o IS compõe a base de cálculo do IBS e da CBS. Isso cria um efeito cascata controlado que precisa entrar na conta:
Fórmula simplificada:
Preço de Venda = Custo do Produto / (1 - %IS - %CBS - %IBS - %Margem)
Onde:
- %IS = alíquota do Imposto Seletivo aplicável ao produto
- %CBS = alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (alíquota de referência federal)
- %IBS = alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (alíquota de referência estadual + municipal)
- %Margem = margem de lucro desejada pelo cliente
Atenção: como o IS não gera crédito, ele entra como custo direto — diferentemente do IBS e da CBS, que permitem compensação na cadeia.
Passo 4: Compare com a carga tributária atual
Monte um comparativo entre:
- Cenário atual: PIS + Cofins + ICMS + IPI sobre o produto
- Cenário novo: IS + CBS + IBS sobre o mesmo produto
Esse comparativo é o entregável mais valioso para o cliente. Ele permite visualizar se a carga tributária vai aumentar, diminuir ou se redistribuir — e tomar decisões de portfólio e precificação com base em dados reais.
Passo 5: Simule cenários de repasse ao consumidor
Nem todo o IS poderá ser repassado ao preço final sem perda de competitividade. O contador precisa simular:
- Repasse integral: preço sobe proporcionalmente — risco de perda de volume
- Repasse parcial: empresa absorve parte do custo — margem comprimida
- Reposicionamento de mix: substitui produtos com alta incidência de IS por alternativas com menor tributação
A oportunidade para o contador consultivo
O Imposto Seletivo não é apenas mais um tributo para calcular — é uma mudança estrutural na lógica de precificação de setores inteiros. O profissional que dominar o IS antes de 2027 se posiciona como referência para:
- Revisar o portfólio de produtos dos clientes e identificar os que serão alcançados
- Recalcular preços de venda com projeções confiáveis
- Orientar decisões estratégicas de mix de produtos
- Ajustar parâmetros de ERP e sistemas fiscais para o novo tributo
- Preparar os clientes para a transição antes que a cobrança efetiva comece
Baixe a Calculadora de Impacto do IS no Preço Final
Para facilitar esse trabalho, preparamos uma Calculadora de Impacto do Imposto Seletivo no Preço Final — uma planilha prática com fórmulas prontas onde você insere o produto, a alíquota projetada e os custos atuais, e visualiza imediatamente a nova carga tributária e o preço de venda ajustado.
O que a calculadora inclui:
- Campo para inserção do produto e código NCM
- Alíquotas projetadas do IS por categoria (pré-preenchidas)
- Cálculo automático do custo tributário total (IS + CBS + IBS)
- Comparativo com a carga atual (PIS/Cofins + ICMS + IPI)
- Simulação de cenários de repasse (integral, parcial e reposicionamento)
Calculadora de Impacto do Imposto Seletivo no Preço Final – Simule o IS no Preço Final em 1 Minuto
Baixe a planilha prática para simular o impacto do IS no preço de venda. Insira produto/NCM, alíquotas e custos e veja automaticamente a nova carga tributária (IS + CBS + IBS), o comparativo com a carga atual e cenários de repasse (integral, parcial e reposicionamento)
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A calculadora mostra o impacto. O Ebook de Mapeamento mostra a estrutura dos três tributos. Mas para dominar o IS com profundidade — entender os fatos geradores, as exceções, os critérios de cada categoria, a interação com CBS e IBS e os impactos no ERP — você precisa de um estudo aprofundado e orientado.
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