O exercício de 2027 será o primeiro a exigir demonstrações financeiras no formato da IFRS 18 — e, como a norma obriga comparativos reclassificados, os números de 2026 já precisam ser preparados na nova estrutura. Ao mesmo tempo, a Reforma Tributária entra em fase de calibragem com a CBS em vigor e o IBS em teste. O resultado é que a elaboração de demonstrações contábeis deixou de ser uma atividade de fechamento e virou um campo de decisão estratégica. Quem domina esse campo não está apenas cumprindo obrigação — está entregando inteligência contábil.
Este artigo mostra por que a capacitação prática em IFRS e demonstrações contábeis se tornou a competência mais valorizada no mercado contábil brasileiro — e o que separa o profissional que “fecha balanço” daquele que realmente entrega valor.
O que acontece em 2027 — e por que a preparação começa agora
A IFRS 18, publicada pelo IASB em abril de 2024 e traduzida no Brasil como CPC 51, substitui a IAS 1 e o CPC 26 — normas que estiveram vigentes por mais de 25 anos. Não se trata de uma atualização incremental. A reformulação é estrutural e atinge diretamente a Demonstração do Resultado.
A nova norma cria cinco categorias obrigatórias para classificar receitas e despesas: operacional, investimento, financiamento, imposto de renda e operações descontinuadas. Essa estrutura elimina a liberdade que cada empresa tinha para definir seu próprio conceito de “lucro operacional” e impõe dois subtotais inéditos — o lucro operacional padronizado e o resultado antes de financiamento e imposto de renda.
Na prática, isso significa que planos de contas precisam ser remapeados, ERPs precisam ser reconfigurados, políticas contábeis internas precisam ser reescritas e demonstrações comparativas precisam ser reapresentadas. Empresas que deixarem tudo para o segundo semestre de 2026 vão enfrentar um gargalo operacional severo — especialmente aquelas com estruturas complexas de investimento, financiamento ou indicadores contratuais vinculados a métricas contábeis.
E há um detalhe que poucos profissionais estão considerando: a IFRS 18 também regulamenta as MPMs (Management-Defined Performance Measures) — métricas como EBITDA e lucro ajustado que antes eram divulgadas sem padronização. A partir de 2027, essas métricas precisarão de reconciliação formal com o resultado IFRS, nota explicativa dedicada e consistência entre períodos. Quem prepara demonstrações sem dominar esse mecanismo vai entregar um trabalho incompleto.
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Lopes da Silva
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A convergência com a Reforma Tributária: duas mudanças ao mesmo tempo
A implementação do CPC 51 coincide com a fase mais intensa da transição tributária brasileira. Em 2027, CBS e IBS coexistirão com PIS/COFINS e ISS em um modelo dual que exige controles paralelos e tratamentos contábeis distintos.
Essa convergência afeta diretamente as demonstrações contábeis de três formas concretas:
A primeira é a reclassificação de tributos na DRE. Com a nova estrutura da IFRS 18, tributos sobre consumo (CBS, IBS) precisam ser tratados de forma diferente dos tributos sobre renda (IRPJ, CSLL). A categoria “imposto de renda” na nova DRE tem escopo definido — e muitos contadores ainda estão classificando tributos pela lógica antiga do CPC 26.
A segunda é o impacto nos impostos diferidos. A coexistência de dois sistemas tributários no período de transição cria cenários inéditos de diferenças temporárias. Provisões de IRPJ e CSLL diferidos precisam refletir as alíquotas e bases de cálculo que estarão em vigor quando a diferença reverter — não as alíquotas atuais.
A terceira é a divulgação em notas explicativas. A IFRS 18 amplia significativamente as exigências de divulgação, e a Reforma Tributária adiciona uma camada de incerteza que precisa ser comunicada aos usuários das demonstrações. Fóruns técnicos do CPC e da CVM já discutem a necessidade de divulgações específicas sobre os impactos estimados da transição tributária.
O contador que atua na elaboração de demonstrações financeiras precisa dominar os dois mundos simultaneamente. E essa capacidade não se adquire lendo normas — se adquire praticando.
O que separa o contador que “fecha” do que entrega valor
Fechar um balanço é seguir um roteiro. Elaborar demonstrações contábeis com qualidade técnica é outra coisa — exige julgamento, consistência e domínio de normas que mudam.
Na prática do mercado, a diferença se manifesta em pontos muito concretos:
Consolidação. Grupos empresariais precisam de profissionais que dominem a IFRS 10 — eliminações de transações intercompany, tratamento de participações não controladoras, cálculo de goodwill e reclassificações em reorganizações societárias. A maioria dos contadores que “fecha balanço” nunca consolidou uma demonstração de verdade.
DFC pelo método indireto. A Demonstração dos Fluxos de Caixa é, disparada, a peça contábil que mais gera retrabalho nos encerramentos. Com as alterações que a IFRS 18 traz via emendas à IAS 7, a classificação de juros pagos, juros recebidos e dividendos ganha regras mais rígidas — e a margem para “encaixar” itens onde convém desaparece.
DVA. A Demonstração do Valor Adicionado é obrigatória para companhias abertas e cada vez mais exigida por stakeholders de empresas de médio porte. Poucos profissionais sabem elaborá-la com precisão, e menos ainda sabem interpretá-la como ferramenta de análise.
Notas explicativas. O CPC 51 amplia as exigências de disclosure e introduz regras formais para MPMs. A nota explicativa deixa de ser um texto genérico e vira um documento técnico que precisa reconciliar métricas gerenciais com o resultado contábil.
Cada um desses pontos representa uma competência que o mercado remunera de forma diferente. Contadores que dominam a elaboração completa — e não apenas o fechamento — ocupam posições de controller, responsável técnico, consultor de auditoria e perito contábil. São cargos com remuneração significativamente superior e demanda crescente.
Quem é Eugênio Montoto — e por que isso importa
Quando se trata de demonstrações contábeis no Brasil, poucos nomes carregam tanta credibilidade prática e acadêmica quanto Eugênio Montoto.
Mestre em Contabilidade pela PUC-SP, com MBA em Normas Internacionais IFRS pela USP e formação em Engenharia Eletrônica, Montoto atuou como diretor de sociedades por ações durante 15 anos antes de se dedicar integralmente ao ensino e à consultoria. É autor do livro Contabilidade Geral e Avançada Esquematizado, publicado pela Saraiva — obra que está em sua 9ª edição e foi premiada com o Troféu Cultura Econômica na categoria Contabilidade.
Montoto já formou milhares de profissionais em cursos preparatórios e pós-graduações, e traz para a sala de aula algo que manuais não entregam: a prática real de quem elaborou demonstrações contábeis sob pressão de auditoria, regulação e conselho de administração.
A pergunta que define o próximo passo da sua carreira
Se você é contador, analista contábil, controller ou auditor, há uma pergunta que vale a pena responder com honestidade: você está preparado para elaborar demonstrações financeiras na nova estrutura da IFRS 18 — com comparativos reclassificados, MPMs reconciliadas e tratamento adequado da transição tributária?
Se a resposta é “ainda não”, o momento de se capacitar é agora — antes que a demanda por esses profissionais sature e o custo de estar despreparado se torne tangível no próximo encerramento.
IFRS 18 na prática: o que muda na elaboração de cada demonstração
Para deixar o cenário mais concreto, veja como a nova norma afeta cada uma das peças contábeis obrigatórias:
Balanço Patrimonial (BP). A IFRS 18 mantém a estrutura geral do BP, mas exige que a classificação de ativos e passivos seja consistente com as cinco categorias da DRE. Investimentos que geram retornos “largamente independentes” da operação precisam ser segregados com clareza — o que obriga uma revisão do plano de contas em muitas empresas.
Demonstração do Resultado (DRE). A mudança mais visível. Os cinco agrupamentos obrigatórios substituem a liberdade de formatação anterior. O subtotal de lucro operacional passa a ter definição única e global. Empresas que divulgavam métricas ajustadas (EBITDA, lucro normalizado) precisarão reconciliá-las formalmente com o resultado IFRS.
Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). As emendas à IAS 7 eliminam opções de classificação que prejudicavam a comparabilidade. Juros pagos, juros recebidos e dividendos recebidos agora têm categorias definidas — e a DFC precisa ser consistente com a classificação adotada na DRE.
DMPL. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido precisa refletir de forma mais granular os impactos do resultado abrangente, especialmente em cenários de reavaliação de ativos e variações cambiais de investimentos no exterior.
Notas Explicativas. O volume e a profundidade das divulgações aumentam. Política contábil, julgamentos críticos, estimativas relevantes e MPMs com reconciliação completa passam a ser obrigatórios — não recomendados.
Capacitação Avançada em IFRS e Demonstrações Contábeis
Montoto
MBA IFRS · USP
Domine a elaboração completa de BP, DRE, DFC, DVA e DMPL com foco prático — incluindo a nova estrutura da IFRS 18/CPC 51, consolidação, notas explicativas e os impactos da Reforma Tributária nas demonstrações de 2026 e 2027. Com o autor de Contabilidade Geral e Avançada Esquematizado (Saraiva, 9ª edição).
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A Capacitação em IFRS, com o professor Eugênio Montoto, é voltada para quem atua na elaboração e apresentação de demonstrações financeiras — BP, DRE, DFC, DVA, DMPL, consolidação e notas explicativas. É o caminho para posições de controller, responsável técnico e consultoria contábil.
Se o seu dia a dia é calcular tributo, vá de Lucro Real. Se o seu dia a dia é fechar demonstrações e apresentar resultados, vá de IFRS. Se você faz os dois — e muitos contadores fazem — considere os dois.
O cronograma de preparação para a IFRS 18 — e onde a capacitação se encaixa
Para profissionais e empresas que ainda não começaram, o roadmap recomendado tem quatro fases:
Fase 1 — Diagnóstico (agora até Q3 2026). Mapeamento do plano de contas atual contra as cinco categorias da IFRS 18. Identificação de itens que mudarão de classificação. Levantamento de todas as MPMs divulgadas publicamente.
Fase 2 — Ajuste de sistemas e políticas (Q3–Q4 2026). Atualização do ERP e das ferramentas de consolidação para suportar os novos subtotais. Revisão das políticas contábeis internas. Definição da nota explicativa única para MPMs com reconciliação.
Fase 3 — Treinamento e validação (Q4 2026). Capacitação das equipes contábeis, de auditoria e de relações com investidores. Preparação de demonstrações-piloto com a nova estrutura. Validação com auditores independentes.
Fase 4 — Go-live (2027). Publicação das demonstrações no novo formato, incluindo comparativos reclassificados de 2026.
A capacitação prática se encaixa entre as Fases 1 e 2 — o momento em que o profissional já entende o que precisa mudar, mas ainda precisa desenvolver a competência técnica para executar. Quem chega à Fase 3 sem essa base vai travar.
Dois riscos que ninguém está falando
Covenants bancários. Muitos contratos de empréstimo exigem a manutenção de indicadores financeiros como EBITDA ou lucro operacional. A nova classificação da DRE pode alterar o cálculo desses indicadores sem que o desempenho real da empresa tenha mudado. Resultado possível: descumprimento técnico de cláusula contratual, com exigência de waiver ou quitação antecipada. O contador que antecipa esse risco e comunica com clareza se posiciona como consultor — não como executor.
Remuneração variável. Programas de bônus atrelados a métricas contábeis precisam ser revisados. Se o conceito de “lucro operacional” muda, as metas vinculadas a ele também mudam — e a falta de alinhamento pode gerar passivos trabalhistas ou conflitos de governança. Esse é o tipo de risco que aparece no fechamento de 2027 para quem não se preparou em 2026.
Leitura recomendada
- IFRS 18 e CPC 51: O Que Muda nas Demonstrações Financeiras
- IFRS 18 e CPC 51: Nova DRE e Regras de Divulgação
- Consolidação de Demonstrações Financeiras: Guia Prático IFRS 10
- Especialização em Lucro Real: O Caminho Mais Rápido para a Consultoria Tributária em 2026
A Escola Superior de Negócios Contábeis ESNC é referência em educação contábil, tributária e de RH no Brasil, com certificação CFC e corpo docente especializado. Acompanhe o blog para conteúdos técnicos atualizados sobre IFRS, Reforma Tributária e gestão contábil.


